Futuros condutores de veículos aprendem a valorizar a vida por um trânsito mais seguro em Rondônia

Alunos ouvem a palestra de Carlos André na Escola Jorge Teixeira e se animam com o concurso de redação, da Sesdec

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Quase todos erguem as mãos em sinal de confirmação, quando o palestrante Carlos André de Souza Benedito pergunta se alguém já teve um ente da família ou amigo vítima de acidente de trânsito.

 

Ana Paula: pai acidentado

 

 

“Meu pai não conseguiu atravessar direito a rua, um carro esmagou o pé dele, está cheio de ferro até hoje”, conta Ana Paula Marques, 12 anos, moradora no bairro Ulisses Guimarães (zona leste de Porto Velho).

 

 

Kaléo ensina o irmão a atravessar a rua

 

Kaléo Davi, de 11 anos, conta que ajuda o irmão mais, Roberto, 10 anos, ainda não sabe atravessar a rua, mas ele o ensina.

 

 

Josiane: primo foi vítima de acidente de moto

A aluna Josiane Pereira Prudêncio, de 12 anos, guarda nas lembranças o trauma de perder o primo em um acidente de trânsito.

 

“A moto tombou com meu primo perto de Jaru (Na BR-364), ele morreu; eu valorizo muito o que venho aprendendo aqui na escola”, lamenta Josiane.

 

Mais de 70 alunos dos 6º anos A e B, reunidos no auditório da Escola Estadual Jorge Teixeira, no bairro Ulisses, aprenderam o básico para evitar acidentes e, mais essencial ainda, o jeito prático de mudar comportamentos negativos dos próprios pais quando displicentes. “Vocês são o futuro do nosso trânsito!”, incentiva Carlos André.”Estamos falando sério: quem tem sonhos e projetos a serem realizados?”, ele indaga.

Carlos ensina: “Ao subir na moto, use o capacete”. Na sequência, mais estímulos: “Aqui (na escola), as pessoas querem o seu bem, agradeçam mais, reclamem menos; quando forem um dia dirigir, usem gestos que alegrem a todos, isso faz diminuir o estresse”.

Não importa a idade, em qualquer situação, a escolha tem que ser feita. No trânsito também existe o certo e o errado. Com essa premissa, o palestrante vai sucedendo diversos itens: “As ruas se destinam ao automóvel, à bicicleta, ao caminhão; calçadas devem ser o espaço do pedestre, um deve respeitar o espaço do outro”.

“Intensificamos a presença da equipe educadora nas escolas, porque a educação transformadora lhes permite alertar e corrigir os pais”, diz a diretora técnica de educação do trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Cleuza Avello Corrêa.

BICICLETA NA ORDEM DO DIA

Além do palestrante Carlos André, estiveram na Escola Jorge Teixeira na os educadores de trânsito Miro Costa, Aldilene Sarnento, os cabos PM Jadson Guimarães Ferreira e Radilson Reis da Silva, ambos da Sesdec.

Até agora, 380 crianças do 4º ao 6º anos receberam também o projeto contínuo Educatran, da Sesdec: além da Jorge Teixeira, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Ely Bezerra de Salles (também na zona leste), e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel Aparício Nunes de Almeida (zona sul).

As recomendações ouvidas pelos alunos enfatizaram o destaque ao uso da bicicleta. Da mesma forma que o carro, eles também se conscientizaram: “Se beber, não pedale. Bebida não combina com direção segura. O álcool reduz reflexos e diminui a atenção, expondo o ciclista a riscos de acidentes”.

O educador Márcio Segundo, do Detran, explica que as palestras são organizadas por público e as metodologias variam.

“Do primeiro ao quinto ano, o palhaço Cadeirinha comparece às escolas, e há um mês, a atriz Vavá Castro impressiona as crianças com teatro de bonecos.

Mostrando a bike que irá premiar a melhor o melhor texto, o cabo Radilson Reis da Silva anunciou o concurso de redação promovido pela Sesdec com o tema “No trânsito, dê sentido à vida”. Cinco redações serão selecionadas.

 

NO HB, O ATO DE “SENTIR NA PELE”

Equipes do Detran e Sesdec durante conscientização de alunos na Escola Jorge Teixeira

Foi um teste de enfrentamento da situação pós-acidente. Os alunos do Colégio Tiradentes da PM, Victor Bacele, 17 anos, e Ingridy Isabelle, 17, caminharam apoiados em muletas até o quarto onde estava internada uma vítima de acidente com moto na rodovia de Alto Paraíso, a 182 quilômetros de Porto Velho.

Eles fizeram isso no dia 31 de agosto, depois de ouvirem, no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, palestras da 2ª edição do Party (siga inglesa), a Prevenção do Trauma Relacionado ao Álcool na Juventude.

Centro e quatro mortos por dia. “Nós também estamos no olho do furacão”, alerta o policial rodoviário federal Cavalcante, um dos palestrantes.

Alunos do Colégio Tiradentes da Polícia Militar na faixa de 16 a 18 anos olharam atônitos para os números projetados no audiovisual mostrado por Cavalcante.

 

“O governo gasta R$ 146,8 bilhões por ano com as vítimas do trânsito, mas eu pergunto: e o custo emocional? …este é o pior”, diz o agente Cavalcante.

 

“Vocês podem diminuir essas dores”, apelou Cavalcante. Esses alunos, todos na faixa de 16 a 18 anos, conversaram também com acadêmicos de medicina, policiais técnicos e servidores da Secretaria Estadual de Saúde.

Ingridy Isabelle simula caminhada de um acidentado de trânsito

Eles souberam naquele momento que, na verdade, os números reais superam os do DPVAT*, sigla do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre.

O alcoolismo como combustão para a maioria dos acidentes foi diversas vezes mencionado. A metade dos cadáveres de acidentados no trânsito em Porto Velho e levados ao Instituto Médico-Legal é consequência do uso de álcool e direção.

Entre as frases na tela, eles leram uma de Klaus Rehfeldd: “Nem todo uso de álcool leva ao abuso, porém, todo abuso encontra o uso moderado na sua origem”.

O PRF Cavalcante chama atenção para o número de lesionados: 228.102 em 2018, em todo o País. “Já foi pior”, salienta.

Os alunos ouviram repetidas vezes os palestrantes mencionarem a Lei n 13.546/17, que altera dispositivos da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), para dispor sobre crimes cometidos na direção de veículos automotores.

O trauma é muitas vezes visto por pessoas que nada têm a ver com o acidente, mas ousam tirar fotos sem a preocupação de prestar o mínimo socorro. “Eu não faria isso de jeito nenhum, chamaria logo a polícia e o Samu”, disse a aluna Nelyse Abadi, 18, moradora no bairro Conceição [zona sul].

Professora Micaela alerta para o impacto do celular na vida dos jovens

Pouco antes, o major bombeiro Guedes havia lamentado que, em diversas ocasiões, algumas pessoas preferem simplesmente ver a tragédia a auxiliar no socorro às vítimas.  

Beatriz Carvalho, 18, conta ter visto acidentes graves, e com isso conclui: “Estou consciente da necessidade de dirigirmos com responsabilidade, do contrário, podemos acabar com uma vida, ou até mais de uma”.

Para a professora de matemática no Colégio Tiradentes, Micaela Armínio da Silva, o impacto do uso do celular na vida dos jovens implica cuidados redobrados no trânsito. Ela lamenta os vacilos causadores de acidentes, alguns deles fatais, e exclama: “Olhe aí, todos têm celular e quem não dirige hoje, irá dirigir amanhã”.

Micaela calculou: “Se cada aluno conscientizar outros dez teremos trezentos conscientizados, e estes multiplicarem por mais dez cada um, alcançaremos três mil pessoas a par dos ensinamentos de hoje”.

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* DPVAT está presente na categoria dos seguros obrigatórios, de acordo com o Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, que regulariza todas as operações de seguros e resseguros. Em 1974, foi acrescida da Lei nº 6.194, onde o Seguro DPVAT começou a ser válido em âmbito nacional e legalmente obrigatório.

NÚMEROS DA DOR NACIONAL

  • 104 mortos por dia
  • 38.281 mortos em 2018.

QUANTO GASTA O GOVERNO FEDERAL

  • R$ 146,8 bilhões por ano totalizam os gastos com as vítimas da violência no trânsito.

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Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Frank Néry e Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia

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